Conflitos de Imigração em Minnesota: Uma Crise Social Atual

Conflitos de Imigração em Minnesota: Uma Crise Social Atual

A comunidade latina no Minnesota vive num clima de medo. O quotidiano passou a ser marcado por rusgas de imigração, postos de controlo e pela presença constante de agentes federais, num contexto de crise social e jurídica sem precedentes.

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A comunidade latina de Minnesota enfrenta um momento crítico em sua história. Nas últimas semanas, o aumento da aplicação da lei federal de imigração trouxe um clima de medo que permeia bairros, escolas e centros comunitários. As detenções em massa, as operações policiais e a constante presença de agentes armados mudaram a rotina de milhares de famílias imigrantes, muitas das quais possuem status legal ou até mesmo cidadania americana. "Passamos de um estado de medo para uma paralisia total", afirma Grecia Lozano, porta-voz e co-fundadora da Latino Voices Minnesota, uma organização que oferece apoio direto aos imigrantes na região sudoeste do estado. "A situação é muito pior do que qualquer coisa que vivemos durante a covid. As pessoas mal se atrevem a olhar pela janela." Esse clima de tensão começou em 1º de dezembro, com o lançamento da Operação Metro Surge, que trouxe um grande número de agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da Border Patrol para Minnesota. Desde esse dia, de acordo com organizações locais e autoridades estaduais, a presença federal se intensificou de maneira alarmante. Ana Pottratz Acosta, professora de Direito na Universidade do Minnesota, observa que essa ofensiva ocorre em um contexto de violações sistemáticas dos direitos fundamentais. "Estamos testemunhando diversas infrações aos direitos constitucionais, especialmente à Quarta Emenda", comentou em entrevista à Euronews. "Os agentes estão invadindo residências sem mandado, o que é claramente inconstitucional." Ela ressalta que muitas dessas ações são fundamentadas em ordens administrativas das próprias agências federais, que não têm a mesma validade legal que uma ordem judicial. "Uma ordem administrativa não se compara a uma ordem assinada por um juiz, mesmo que o governo aja como se tivesse essa autoridade", explica. Nas últimas semanas, essa repressão resultou em tragédias. Poucos dias após a morte de Renée Good, que foi baleada por um agente de imigração, Alex Pretti também foi morto por outro agente federal em Minneapolis, no último sábado. Essas duas perdas aumentaram as tensões políticas e sociais no estado. Do ponto de vista jurídico, Pottratz Acosta questiona a justificativa para o uso de força letal. "Não eram manifestantes, mas sim observadores legais, treinados pela comunidade para monitorar e registrar abusos", afirma. "O direito de observar e registrar a polícia é protegido pela Primeira Emenda. Não havia justificativa legal para o uso de força letal contra essas pessoas." Em resposta a essa situação, o estado de Minnesota, juntamente com as cidades de Minneapolis e Saint Paul, moveu uma ação judicial contra o Departamento de Segurança Interna (DHS), alegando uma violação sem precedentes da Constituição e dos direitos civis. O procurador-geral do estado, Keith Ellison, que é democrata, declarou durante uma coletiva de imprensa que "isso é um abuso constitucional completamente novo. Ninguém se lembra de ter visto algo assim antes." A ação judicial também conta com o apoio dos procuradores-gerais de outros estados.

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