Tribunal Grego Inocenta Trabalhadores Humanitários de Tráfico

Após mais de sete anos de limbo jurídico, um tribunal grego absolveu duas dezenas de arguidos de acusações relacionadas com o tráfico de migrantes para a Grécia.

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Tribunal Grego Inocenta Trabalhadores Humanitários de Tráfico

Duas dezenas de trabalhadores humanitários, que enfrentaram acusações de tráfico de migrantes por sua atuação em operações de busca e salvamento na ilha de Lesbos, foram finalmente absolvidos por um tribunal grego na noite de quinta-feira.

Após mais de sete anos em um limbo jurídico, o Tribunal de Recurso de Lesbos decidiu livrar os réus das acusações, que incluíam desde a participação em uma organização criminosa até a facilitação da entrada de cidadãos de países não pertencentes à União Europeia na Grécia, além do branqueamento de capitais entre 2016 e 2021. Caso fossem condenados, o grupo poderia ter enfrentado penas de até 20 anos de prisão.

O juiz presidente, Vassilis Papathanassiou, declarou que os réus seriam absolvidos porque suas intenções não eram criminosas, mas sim voltadas para a ajuda humanitária, conforme relatado pela imprensa grega.

Antes do veredicto, o procurador do caso comentou que as acusações careciam de provas concretas e sugeriu a absolvição dos envolvidos. Os meios de comunicação gregos relataram que o procurador destacou a ausência de evidências que apontassem para a existência de uma estrutura hierárquica que caracterizasse uma organização criminosa.

Um dos argumentos da acusação inicialmente se concentrou no uso do WhatsApp pelos réus, um serviço de mensagens encriptadas da Meta, que foi apresentado como uma prova de conluio criminoso relacionado à chegada de barcos de imigrantes. No entanto, esse raciocínio foi rapidamente refutado pelo juiz, que afirmou que "um grupo de comunicação na Internet não pode ser considerado uma organização criminosa".

A Euronews tentou entrar em contato com as autoridades gregas para obter um comentário sobre o caso, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

Lesbos, que já foi um destino turístico popular, se tornou o principal ponto de entrada para indivíduos e pequenas embarcações em busca de chegar à Europa em 2015, ano que marcou o auge da crise migratória no continente. Apesar de as autoridades gregas alegarem que o longo processo era uma questão de segurança para as fronteiras nacionais, grupos de defesa dos direitos humanos chamaram as acusações de "infundadas" desde o início e ofereceram apoio aos réus.

"Houve uma explosão de aplausos na sala após o veredito, e os réus se abraçaram emocionados", relatou à Euronews Wies de Graeve, diretor executivo da Amnistia Internacional na Bélgica, que esteve presente na audiência.

De Graeve descreveu o resultado como "agridoce", mencionando os testemunhos "desoladores" dos réus, que revelaram as implicações psicológicas, financeiras e emocionais que o julgamento teve em suas vidas.

Seán Binder, um cidadão germano-irlandês que chegou a Lesbos em 2017, quando ainda estava na casa dos 20 anos, foi um dos absolvidos. Ele expressou um misto de alívio e preocupação: "É um grande alívio não ter que passar os próximos 20 anos em uma cela, mas, ao mesmo tempo, é inquietante que essa possibilidade tenha existido. Hoje, ficou claro, como sempre deveria ter sido, que prestar assistência humanitária não é um crime."

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