Paz entre Armênia e Azerbaijão em Davos: Análise Geopolítica
Os presidentes da Arménia e do Azerbaijão fizeram a sua primeira aparição conjunta desde o histórico acordo de paz. Num painel da Euronews durante o Fórum Económico Mundial, a Sérvia alertou para as consequências de um divórcio duradouro entre os EUA e a Europa.

Na terça-feira, 21 de janeiro de 2026, os presidentes da Armênia e do Azerbaijão participaram de um painel da Euronews no Fórum Econômico Mundial. Este evento marcou a primeira aparição conjunta dos líderes desde a assinatura de um histórico acordo de paz que encerrou três décadas de conflito. Ilham Aliyev, presidente do Azerbaijão, descreveu o acordo como um "benefício tremendo para a Armênia, para o Azerbaijão e para o Cáucaso do Sul". Ele enfatizou que essa colaboração é um exemplo de como nações anteriormente hostis podem avançar em direção à paz. "Conseguimos restaurar a justiça, o direito internacional, nossa soberania e integridade territorial. Alcançamos a paz e, a partir daí, seguimos em frente", afirmou Aliyev, destacando a transformação que está ocorrendo na região da Eurásia. Vahagn Khachaturyan, presidente da Armênia, expressou sua gratidão ao primeiro-ministro Nikol Pashinyan e a Aliyev pela disposição política em buscar a paz. Ele mencionou exemplos concretos da nova realidade, como a possibilidade de moradores de Yerevan comprarem combustível azerbaijanês. "Se tivéssemos falado sobre isso há alguns anos, a reação teria sido hostil. Mas essa é a nova realidade em que vivemos", ressaltou Khachaturyan. O painel também contou com a participação do presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, que fez uma análise sobre a deterioração das condições geopolíticas, referindo-se ao "divórcio entre a Europa e os Estados Unidos". Ele pediu união entre as nações menores, alertando que essa separação terá repercussões significativas. "Esse divórcio não será temporário; ele deve perdurar e, no final, todos teremos que arcar com as consequências", concluiu Vučić.
Atualizado há 3 horas
Os dois chefes de Estado destacaram o que a paz já trouxe desde a assinatura do acordo, incluindo benefícios económicos. "Os benefícios da paz refletem-se no início da cooperação", disse Aliyev, explicando que as primeiras remessas de produtos essenciais e produtos petrolíferos do Azerbaijão estão a ser transportadas para a Armênia. "Por si só, baixa os preços", disse. "O que foi alcançado é um benefício enorme para a Armênia, para o Azerbaijão e para o Sul do Cáucaso, e dá o exemplo de como países com relações profundamente hostis podem passar a uma fase de cooperação." Khachaturyan disse que os países vão aprofundar esta relação comercial existente. "Agora, a República da Armênia pode receber carga do Azerbaijão através do território da Geórgia. Estou certo de que, um dia, poderemos receber essa carga diretamente pelos nossos próprios territórios." Aliyev concordou que esse dia "não está muito longe". Apontou outros exemplos económicos concretos da transformação, referindo que os habitantes de Erevan, capital da Armênia, já podem comprar combustível do Azerbaijão para os seus automóveis. O Presidente arménio assinalou que a capacidade de Armênia e Azerbaijão fazerem negócios entre si através da fronteira não será apenas benéfica localmente, mas que "como resultado desta cooperação, o Sul do Cáucaso se tornará uma região muito propícia para todo o mundo". "Nas discussões que estamos a ter sobre a ligação entre a Europa e a Ásia, a melhor forma de o fazer é através do Sul do Cáucaso", disse Khachaturyan. Concluiu que o processo de estreitar laços entre os dois países terá sucesso, porque há não só interesse político, mas também económico. "Isto vai reforçar os acordos que alcançámos."