Kubilius: Europa Depende dos EUA para Defesa Nuclear

Kubilius: Europa Depende dos EUA para Defesa Nuclear

O comissário europeu Kubilius disse à Euronews que concorda com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, quando diz que a UE depende das protecções nucleares dos EUA. Mas o mesmo não acontece quanto aos meios de guerra convencional.

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Os europeus, atualmente, não conseguem substituir o 'guarda-chuva nuclear' fornecido pelos Estados Unidos. No entanto, quando se trata de defesa convencional, a situação muda. Essa é a visão de Andrius Kubilius, comissário europeu para a Defesa e Espaço, que conversou com a Euronews nesta quarta-feira.

Na última segunda, Mark Rutte, secretário-geral da NATO, destacou que a União Europeia deve 'continuar a sonhar' com a independência em segurança e defesa em relação aos EUA, seu principal aliado. Kubilius concorda com Rutte, especialmente em relação à defesa nuclear. “Se o que ele quis dizer é que os europeus devem deixar de sonhar com a possibilidade de se defender sem o apoio nuclear dos norte-americanos, estou de acordo”, afirmou. Ele acrescentou que os EUA deixaram claro que estão dispostos a manter esse 'guarda-chuva', e a Europa agradece por isso.

Contudo, em termos de defesa convencional, a Europa precisa se preparar para operar com menos dependência dos EUA. “Essa é a realidade atual”, observou Kubilius.

Um exemplo prático dessa situação é a necessidade de encontrar soluções para substituir os cerca de 100.000 militares norte-americanos atualmente estacionados na Europa, que desempenham um papel crucial. Kubilius enfatiza que a União Europeia precisa entender exatamente o que terá de substituir caso os EUA decidam reduzir sua presença no continente, o que envolve 'facilitadores estratégicos, recursos e ativos tanto no espaço quanto em terra'. Ele menciona que esses militares exercem uma função que especialistas chamam de força militar de apoio na Europa. “A questão é: como vamos substituir essa capacidade?”, questiona.

Outra dúvida que ainda não tem resposta é quando essa transição poderá ocorrer e se será suficiente para enfrentar uma potencial ameaça da Rússia. “Não posso dar uma data clara”, admitiu Kubilius ao comentar sobre a prontidão da UE para se defender sem o suporte dos EUA.

Ele também destacou que a Rússia representa a maior ameaça convencional à segurança europeia e está construindo uma economia de guerra. “Se a paz na Ucrânia for alcançada, a Rússia não vai simplesmente parar. Eles continuarão a produzir como estão fazendo agora”, alertou.

Segundo Kubilius, se a União Europeia não aumentar seu nível de preparação, “daqui a alguns anos, poderemos nos deparar com a questão de como resistir ao poder militar russo”.

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