Kaja Kallas alerta sobre riscos de exército europeu separado
A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, advertiu que a criação de um exército separado da UE, a par da NATO, seria "extremamente perigosa", argumentando que iria confundir as cadeias de comando numa crise.
A chefe da política externa da União Europeia (UE), Kaja Kallas, levantou uma questão crucial na segunda-feira, ao afirmar que a ideia de um exército europeu é “extremamente perigosa”. Essa declaração surge em meio a um debate contínuo sobre as futuras capacidades de defesa do bloco que reúne 27 países. Durante uma conferência de segurança em Oslo, na Noruega, Kallas destacou que a prioridade em qualquer crise militar deve ser a manutenção de uma estrutura de comando bem definida.
Ela observou que, enquanto os ministros da Justiça se reúnem e agem com uma perspectiva europeia, os ministros da Defesa ainda operam em moldes nacionais, com orçamentos e decisões próprios. "É evidente que a competência é dos Estados-membros; ninguém discute isso. Porém, os Estados-membros são pequenos demais para agir sozinhos. Se nos unirmos, podemos abranger uma área maior. Um exemplo disso é a defesa aérea. Trabalhar em conjunto pode ser custoso, e é por isso que estamos desenvolvendo nove áreas de capacidade em colaboração com a NATO", acrescentou Kallas.
A criação de um exército europeu separado das forças da NATO, segundo ela, poderia trazer confusão em tempos de crise. "Se já somos parte da NATO, não faz sentido criar um exército separado além do que já existe. Em momentos críticos, o que realmente importa é a cadeia de comando: quem dá ordens a quem. Se tivermos um exército europeu e também o da NATO, a situação pode se tornar caótica, e isso é extremamente, extremamente perigoso. É por isso que defendo que devemos reforçar a defesa europeia, que deve ser complementar à NATO. Não devemos simplesmente descartar a NATO", concluiu Kallas.
Na sequência, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, fez uma declaração forte, afirmando que a Noruega continua a ser a primeira linha de defesa da NATO contra as forças nucleares russas, mesmo que a retórica de Washington minimize o papel dos membros europeus na Defesa. "Quando me encontrei com o Presidente Trump pela primeira vez, olhei nos olhos dele e disse: 'É crucial que um primeiro-ministro norueguês diga a um presidente dos EUA que, a apenas 100 quilômetros da minha fronteira, está o maior arsenal nuclear do mundo. E não é direcionado contra mim, Senhor Presidente, mas contra você'", relatou.
Ele também enfatizou a importância de monitorar as atividades russas. "Faz diferença que estejamos atentos a esses submarinos. Sabemos quando eles saem do porto e quando testam novos sistemas de armas. E compartilhamos essas informações com vocês, colaborando na vigilância. Por isso, é completamente enganoso ouvir o presidente americano em Davos afirmar que 'nós damos tudo à NATO, e a NATO não retribui'. Isso está errado". Støre ainda mencionou a magnitude dos exercícios militares que ocorrerão no Ártico em breve. "Daqui a um mês, teremos 25.000 militares em treinamento no norte da Noruega e no norte da Finlândia. As duas maiores delegações que já participaram foram a francesa e a americana, cada uma com cerca de 4 a 5 mil soldados".