Eco Invest Brasil: Maior Leilão de R$ 80 Bi para Sustentabilidade
Recursos serão usados para ampliar apoio a startups e empresas verdes
O Programa Eco Invest Brasil acaba de alcançar um marco significativo: o maior leilão de sua história. O resultado do terceiro leilão, divulgado em 28 de janeiro de 2026, pelo Tesouro Nacional, revela uma demanda impressionante, com potencial para movimentar cerca de R$ 80 bilhões em investimentos em equity, que é a compra de participação em empresas. Desses, R$ 24 bilhões são recursos públicos.
Dessa quantia total, foram homologados R$ 15 bilhões em capital público, possibilitando a mobilização de aproximadamente R$ 53 bilhões em investimentos privados. Mais de R$ 11 bilhões serão direcionados ao desenvolvimento de startups e pequenas e médias empresas (PMEs), com foco em inovação, sustentabilidade e crescimento a longo prazo.
Lançado em 2024, o Eco Invest Brasil visa fomentar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos essenciais na transição ecológica. O programa se destaca por oferecer instrumentos financeiros inovadores, como proteção parcial contra a volatilidade cambial, além de apoiar iniciativas voltadas para a indústria verde, recuperação de biomas, infraestrutura climática e inovação tecnológica.
Dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) indicam que, nos últimos 12 meses, as propostas homologadas neste leilão representam 32,5% de todo o investimento realizado no setor no Brasil entre outubro de 2024 e setembro de 2025.
Nesta edição, seis instituições financeiras se destacaram com propostas bem-sucedidas. O Itaú teve um papel de liderança, respondendo por cerca de 50% do volume homologado, equivalente a quase R$ 30 bilhões. Logo atrás, a Caixa Econômica Federal contribuiu com R$ 9 bilhões, seguida por Bradesco, HSBC, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil.
A maior parte dos recursos será direcionada a projetos de Transição Energética, que concentraram 64,5% das propostas homologadas, enquanto a Bioeconomia ficou com 16%. A Infraestrutura Verde para Adaptação e a Economia Circular representaram, respectivamente, 10,4% e 9,1% desse total, tudo alinhado ao Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Eco Invest já superou R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos, evidenciando o crescente interesse do setor privado em iniciativas sustentáveis.
Entre os setores estratégicos, destacam-se os investimentos em combustível sustentável de aviação (SAF), com R$ 12,2 bilhões, além das cadeias de baterias e veículos elétricos, que somam R$ 9,3 bilhões. O objetivo é inserir o Brasil de forma competitiva na economia verde global.
Coordenado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil, o Eco Invest Brasil já completou três leilões e se estabelece como o maior programa de finanças verdes do país. As instituições financeiras que venceram terão um prazo de até 24 meses para mobilizar capital externo e até 60 meses para realizar os aportes nos projetos selecionados.
E, para quem não sabe, o termo equity refere-se a investimentos feitos por meio da aquisição de participação em empresas.