Documentário 'Bocaina – Terra de Fé e Raízes' Celebra São Sebastião
Viabilizado pela Lei Paulo Gustavo, produção matogrossense transforma fé e tradição centenárias em memória audiovisual

MATO GROSSO
Na última terça-feira, 20 de janeiro de 2026, o documentário "Bocaina – Terra de Fé e Raízes" estreou na comunidade de Bocaina, situada no distrito de Santo Antônio de Leverger (MT). Esta localidade é famosa por sua Festa de São Sebastião, uma celebração que acontece há cerca de um século. Para aqueles que perderam a exibição inicial, o filme será apresentado novamente no dia 3 de fevereiro, no Cine Teatro Cuiabá, com sessões acessíveis para todos.
O curta-metragem documenta o festejo através das memórias, histórias, músicas e saberes dos moradores mais antigos da comunidade, destacando a fé, a coletividade e a religiosidade popular que formam a identidade local. A produção recebeu apoio de várias instituições, incluindo a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), o Governo do Estado, o Ministério da Cultura e o Governo Federal.
Idealizado por Thamara Luiza, que assina o roteiro e a direção de produção, este projeto marca sua estreia como co-diretora geral. Thamara, que é bocaneira e tataraneta de Mãe Rita, a responsável pela promessa, expressa a urgência de registrar a história da comunidade: “Quando minha avó e minha tia faleceram, percebi o quanto o tempo estava passando e senti um senso de urgência. Nossa história precisava ser registrada”, relembra.
As gravações do documentário iniciaram em 25 de janeiro de 2025, coincidentemente no começo da programação da Festa de São Sebastião. Thamara destaca que a equipe de audiovisual se integrou à rotina da comunidade durante as filmagens. “A festa não parou para a equipe trabalhar. Foi a equipe que se uniu às movimentações que já estavam acontecendo”, afirma.
O filme apresenta personagens essenciais para o festejo, como Dona Diva, uma das chefes da cozinha; Oreste Castelo, capelão e cantor de cururu; Maria do Carmo, presidente da Associação dos Devotos de São Sebastião (ADESSCOB); Ana Rosa, responsável pela liturgia; e Creonice, carinhosamente chamada de “primeira-dama” da festa.
Para Thamara, estrear o documentário em Bocaina é um ato de respeito à comunidade: “Nunca passou pela minha cabeça não mostrar o filme ali primeiro. Se cheguei pedindo licença e tive o apoio deles, a entrega precisava ser compatível com essa abertura.” Emocionalmente, ela se sente ansiosa e feliz, e espiritualmente, amparada pelos antepassados.
A direção geral do documentário é co-dirigida por Juliana Segóvia, que também dirige a fotografia. Juliana ressalta que o principal desafio foi criar uma narrativa visual sensível e ética, respeitando a essência do território e das pessoas retratadas. “Trabalhar essa história exigiu um cuidado extremo com a sensibilidade visual e discursiva”, conclui.
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