Desemprego no Brasil atinge menor nível com consumo das famílias

Desemprego no Brasil atinge menor nível com consumo das famílias

Amortecimento dos juros

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© Rovena Rosa/Agência Brasil

Data de publicação original: 30/01/2026, 16:48. Mesmo com a taxa básica de juros do Brasil atingindo em 2025 seu maior nível em quase duas décadas, o país conseguiu registrar a menor taxa de desemprego desde 2012. Esse dado é significativo, pois marca o início da série histórica que analisa a evolução do mercado de trabalho brasileiro. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na prática, a queda no desemprego é explicada pelas compras realizadas pelas famílias, segundo a análise de Adriana Beringuy, coordenadora da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. "A economia continua sendo impulsionada, em grande parte, pelo consumo das famílias", destaca ela.

A Pnad revelou que, em 2025, a taxa de desemprego ficou em 5,6%, uma queda em relação aos 6,6% registrados em 2024. O cenário econômico é interessante: o país alcançou 103 milhões de trabalhadores ocupados, enquanto 6,2 milhões estavam ativamente em busca de trabalho, referidos pelo IBGE como desocupados.

Vale lembrar que a Pnad analisa o comportamento do mercado de trabalho para pessoas a partir de 14 anos, considerando todas as formas de ocupação, seja como trabalhador formal ou informal, temporário ou autônomo.

Em setembro de 2024, preocupados com a inflação em ascensão, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começou a elevar a taxa Selic, que estava em 10,5% ao ano, até chegar a 15% em junho de 2025. A meta de inflação do governo é de 3% ao ano, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O índice oficial de inflação (IPCA) ficou fora desse intervalo de tolerância por 13 meses, quase todo o ano anterior.

A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país. Quando elevada, tende a restringir a economia, encarecendo operações de crédito e desestimulando investimentos e consumo. O resultado esperado é uma diminuição na procura por produtos e serviços, o que poderia esfriar a inflação. Contudo, uma economia em ritmo lento pode resultar em menos geração de empregos.

Adriana Beringuy, analista do IBGE, aponta que, com a Selic nesse patamar elevado, é natural questionar como o desemprego conseguiu cair para a mínima histórica da Pnad. Durante a apresentação dos dados a jornalistas, ela esclarece que "a transmissão do efeito da taxa de juros não é uniforme".

Ela faz uma distinção entre os gastos das famílias em setores sensíveis a juros altos e aqueles que não são. "Não houve um aumento significativo no consumo de bens duráveis, como móveis. As atividades que dependem mais de crédito ou de juros não foram as que mais cresceram em 2025", observa.

Por outro lado, destaca que o país teve um aumento no número de trabalhadores ocupados, assim como na renda do trabalhador e no salário mínimo ao longo de 2025.

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