Casa Pia Enfrenta Acusações de Violação de Sanções da UE
Clube da I Liga terá aceitado participar num esquema para transferir jogador para o FC Akhmat, que é propriedade de Ramzan Kadyrov, aliado de Putin.
O Casa Pia, um clube da I Liga, está sob investigação por ter recebido mais de um milhão de euros do FC Akhmat, clube russo de Ramzan Kadyrov, aliado de Vladimir Putin. A denúncia, divulgada pelo jornal Público, aponta que o clube português pode ter infringido sanções da União Europeia ao disfarçar a origem dos fundos junto ao banco Montepio, visando evitar o congelamento dos recursos.
A acusação do Ministério Público indica que tanto o Casa Pia quanto Tiago Lopes, o gerente executivo responsável pela transferência, tinham ciência de que a movimentação violava as sanções impostas após a invasão da Crimeia. Os crimes investigados incluem branqueamento de capitais e falsificação de documentos.
Os valores referem-se à compra dos direitos desportivos do jogador Felippe Cardoso, que chegou ao Casa Pia na temporada 2022-23. O FC Akhmat, que integra a Federação Russa, demonstrou interesse no atleta e acordou um pagamento total de 1,5 milhões de euros, dividido em duas parcelas. Kadyrov, embora não presida o clube, é seu proprietário e está sob sanções da UE e dos EUA.
O Ministério Público alertou o Casa Pia sobre o risco de violação das sanções, sugerindo que a transferência fosse realizada por uma empresa registrada nos Emirados Árabes Unidos. Um e-mail mencionado na acusação indica que o Casa Pia estava ciente da ilegalidade do esquema.
Tiago Lopes enfrenta três acusações, incluindo violação das medidas restritivas e branqueamento de capitais. O Casa Pia será responsabilizado pelos mesmos crimes, a menos que ocorram mudanças durante a instrução. O presidente do clube, Vítor Franco, não foi acusado, pois assinou documentos a pedido de Lopes. Felippe Cardoso, que atuou pelo FC Akhmat, está atualmente emprestado ao Henan FC na China. O Casa Pia defende que agiu de 'boa-fé' em todas as transações.

