Brasil condena demolição da sede da ONU em Jerusalém
Escritório presta assistência a milhões de refugiados palestinos. Comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, descreveu a demolição como um "ataque sem precedentes".

Na última quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), expressou sua forte condenação à demolição da sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), situada em Jerusalém Oriental, uma área considerada território palestino. O Itamaraty destacou que "medidas que violam instalações da UNRWA no território palestino ocupado constituem flagrante violação do direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas". Além disso, enfatizou que tais ações contrariam os pareceres consultivos da Corte Internacional de Justiça, que, em 19 de julho de 2024, se manifestou sobre as práticas de Israel na região e, posteriormente, em 22 de outubro de 2025, sobre as obrigações de Israel em relação à ONU e a outros atores no território. A demolição teve início na terça-feira, 20 de janeiro, após a aprovação, no final do ano passado, de uma legislação pelo parlamento israelense que permitiu o corte de fornecimento de água e eletricidade ao prédio, além de autorizar a expropriação de imóveis da UNRWA. Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, expressou sua indignação nas redes sociais, classificando a demolição como um "ataque sem precedentes" às Nações Unidas, cujas instalações são protegidas pelo direito internacional. Este é um momento alarmante que levanta preocupações sobre a segurança e os direitos dos refugiados. O Itamaraty, que atualmente preside a Comissão Consultiva da UNRWA, reafirmou o apoio do Brasil à continuidade das atividades da agência, que oferece serviços essenciais a cerca de 6 milhões de refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, na Jordânia, no Líbano e na Síria. Lazzarini também mencionou que as instalações da agência já haviam sido alvo de incêndios criminosos, em meio a uma "campanha de desinformação em larga escala" promovida por Israel. Essa situação gera um ciclo de tensão e incerteza. É crucial lembrar que esses ataques ocorreram mesmo após a decisão da Corte Internacional de Justiça, em outubro do ano passado, que reafirmou que Israel deveria "facilitar as operações" no local e deixou claro que o Estado judaico não possui jurisdição sobre Jerusalém Oriental.