Anfavea: Montagem de Kits Importados Pode Cortar 69 mil Empregos

Anfavea: Montagem de Kits Importados Pode Cortar 69 mil Empregos

Estudo revela que a mudança na produção automotiva impactará empregos e a economia do setor.

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© REUTERS/Nacho Doce/Proibida reprodução

Um estudo recente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alerta que a transição da produção automotiva completa no Brasil para a montagem de kits importados pode resultar na eliminação de 69 mil empregos diretos e afetar 227 mil postos indiretos na cadeia produtiva. A pesquisa destaca a ampliação do uso dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) como fatores de risco para o setor automotivo, com consequências significativas não apenas para o emprego, mas também para os fabricantes de autopeças e as exportações. Segundo a Anfavea, a mudança pode gerar uma perda econômica de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e reduzir a arrecadação tributária em aproximadamente R$ 26 bilhões em um único ano. As exportações de veículos também sofreriam perdas de R$ 42 bilhões, impactando negativamente a balança comercial do país. O modelo CKD envolve a importação total de veículos desmontados, que passam por processos de soldagem, pintura e integração de componentes no Brasil. Por outro lado, o regime SKD permite a importação de veículos quase prontos, facilitando a montagem local. A montadora chinesa BYD, que opera no Brasil principalmente sob o modelo SKD, é um exemplo recente dessa prática. Em 2025, o governo federal autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões, isentando o Imposto de Importação para veículos elétricos e híbridos desmontados, uma medida que beneficiou a BYD e gerou críticas de montadoras tradicionais como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis. Com o término da cota se aproximando, a Anfavea pressiona o governo para não renovar a isenção do Imposto de Importação sobre veículos eletrificados desmontados. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, argumenta que, embora os modelos SKD e CKD não sejam prejudiciais em si, a manutenção de incentivos para montagem em grande escala, sem exigências de valor agregado local, ameaça a sobrevivência da indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados. Calvet afirma que a indústria brasileira está preparada para competir, desde que existam condições justas. A Anfavea, em um manifesto, se opõe à renovação da isenção, enfatizando que soluções de curto prazo não fortalecem a indústria local a longo prazo. A BYD ainda não se manifestou sobre o assunto, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirmou que o sistema de cotas termina neste mês e não há pedidos de renovação.

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